quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MICHELANGELO ANTONIONI

(Ferrara, 29 de Setembro de 1912 – Roma, 30 de Julho de 2007)

Antonioni nasceu em 1912, no seio de uma família burguesa em Ferrara, no Norte de Itália. Estudou Economia e Comércio na Universidade de Bologna e em 1940 foi para Roma, onde ingressou no Centro Sperimentale di Cinematografia. Colaborou com a revista "Cinèma", considerada uma publicação de resistência ao regime fascista.

O primeiro grande sucesso de Antonioni foi L’avventura (1960), que foi seguido por La notte (1961) e L’eclisse (1962), que compreendem uma trilogia sobre o tema da alienação, sendo que o primeiro marca o inicio do cinema introspectivo. O seu primeiro filme colorido Il deserto rosso (1964) também explora temas modernistas da alienação e, junto com os três filmes anteriores, forma uma tetralogia. O seu primeiro filme em inglês, Blowup (1966), também foi um grande sucesso.

Em contraste com os seus contemporâneos, inlcuindo os neo-realistas, cujas histórias geralmente tratavam a vida da classe trabalhadora e a rejeição e incompreensão da sociedade, os filmes mais notáveis de Antonioni mostravam a elite e a burguesia urbana.

Os seus filmes descrevem as personagens ricas como pessoas vazias e sem alma, dissecando-as de forma cruel com uma reprovação do fundo marxista, mesmo enquanto a sua câmara mostra uma certa fascinação pelas belas coisas da classe rica. Os seus filmes tendem, ainda, a ter muito poucos planos e diálogos, e muito tempo é gasto em longas e lentas sequências, como muitas cenas em La notte que mostram uma mulher a vaguear silenciosamente pela cidade a observar as pessoas. Apesar de serem repletos de beleza visual e de terem uma captação perfeita da alienação das personagens, o estilo com pouco movimento e de ritmo lento, pode tornar-se cansativo para algumas pessoas.

Antonioni, de entre um grande número de filmes, realizou Il mistero di Oberwald (1981)

para a televisão italiana e posteriormente transferido para película cinematográfica.

Á primeira vista trata-se de um filme interessado apenas em imagens e sons, uma conversa de um director de cinema endereçada a outro director de cinema, o resultado de uma certa deformação profissional do realizador. Estas impressões vêm do primeiro contacto com a textura da imagem – marcada pela preocupação de se servir do colorido (aplicado livremente sobre as personagens e os cenários) como elemento expressivo – e do primeiro contacto com as acções registadas nas imagens.

A história contada neste filme discute as relações entre o artista (um poeta que se associa a um grupo anarquista para matar a rainha) e o poder (uma rainha que se esconde desde a morte do marido e deixa o reino nas mãos dos aristocratas e nobres da corte). O que o filme nos conta é a história de um artista que não se quer limitar a observar, transformar, transmitir e aparar os excessos: o poeta decide agir.

Assim, em O mistério de Oberwald, Antonioni discute a condição do artista, o poeta, mas elabora a discussão de tal maneira – da construção teatral da cena ao colorido artificial da fotografia – que as linhas de composição aparecem com mais força do que a história contada através delas: a forma torna-se o verdadeiro assunto e a verdadeira acção do filme.

Pode ver-se, nos momentos iniciais do filme, pequenas imagens do interior do castelo com o aparecimento de trovões no lado exterior do mesmo. Mostrando, assim, que Oberwald parece compartilhar do desejo muito humilde e não diluído da televisão para entreter. É uma criação de um dos directores mais lendários do cinema, mas uma simples dramatização de uma história antiga. Contudo, não significa que o filme não tenha qualidade, bem pelo contrário. Se Antonioni pretendia fazer um filme e brincar com a tecnologia de vídeo, então conseguiu fazê-lo na perfeição. Tecnicamente, conseguiu muitos truques para fotografia e edição mas o que impressiona mais é o uso de cores para acentuar o humor das suas personagens - um vermelho escuro quando a rainha narra a morte do marido, por exemplo, ou azul para conotar a chegada dos seus cortesãos.

Com mais de 30 filmes realizados, Michelangelo Antonioni para além de ter ganho vários prémios contribuiu para o mundo cinematográfico na medida em que utilizou a cor como um meio “poético e narrativo”. A televisão a cores veio inovar e criar no espectador, possuidor do pequeno ecran a preto e branco, a sensação de falta de alguma coisa.

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