quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

INGMAN BERGMAN

(Upsala, 14 de Junho de 1918 – Faro, 30 de Julho de 2007)

Estudou na Universidade de Estocolmo, onde se interessou por teatro e, mais tarde, por cinema. Iniciou a sua carreira em 1941 ao escrever a peça teatral “Morte ao Kasper”.

A obra de Ingmar Bergman constitui um dos mais completos e essenciais capítulos da história do cinema. Como poucos, o director utilizou a linguagem para realizar um conjunto significativo que transcende a própria existência cinematográfica. Todos os seus trabalhos lidam geralmente com questões existenciais, como a mortalidade, a solidão e a fé e todas as suas influências provêm do teatro. Assim, o cineasta rompeu as fronteiras do cinema sueco e atingiu a universalidade.

Contudo, a relação de Bergman com o cinema antecede o seu trabalho enquanto profissional. Antes de se estrear no cinema, já tinha descoberto esse mundo como forma de expressão e até de sobrevivência. Na sua infância, Bergman trocou um exército de soldadinhos de chumbo pelo cinematógrafo do irmão.

Vítima de uma infância autoritária, baseada em conceitos relacionados com o pecado, confissão, castigo, perdão e indulgência, conta na sua autobiografia que sempre que tinha alguma atitude que não fosse correcta aos olhos do pai sofria castigos constragedores, como ficar trancado num armário. É então, neste período, que vivencia sentimentos como vergonha ou humilhação, tão explorados nos seus filmes.

A obra bergmaniana é muito complicada de se analisar. É quase um mar cheio de significados que são deslumbrados através de um apuro técnico singular. Bergman sabia fazer quase tudo, o que era pouco comum naquela época. Ocupava-se da montagem e do acabamento do filme e sempre teve um senso muito crítico para a fotografia.

Durante toda a sua carreira, esteve à frente de mais de sessenta produções, incluindo longas, curtas e até mesmo trabalhos exclusivos para a televisão. A sua estreia no cinema foi como director do filme Crise (1946). Nesse período, Bergman foi influenciado pelo neo-realismo italiano, produzindo diversas obras ligadas a esse movimento.

Na década de 40, o cineasta pegou em temáticas mais peculiares, como o matrimónio, assunto de três dos seus filmes (Quando as mulheres esperam(1952),por exemplo). Ainda na década de 40, o cineasta comandou um dos seus maiores sucessos no cinema, O Sétimo Selo (1957), onde personificou a morte como uma habilidosa jogadora de xadrez. Com uma fotografia espectacular, o filme foi nomeado à Palma de Ouro e venceu o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza.

Nas décadas seguintes, Bergman aborda novamente a temática da morte, comanda a direcção de vários filmes e ganha vários prémios.

Entre os finais das décadas de 60 e 70, inicia um novo período na sua carreira, desta vez, marcado pela presença de mulheres como protagonistas. Nessa época dirigiu importantes trabalhos, como Persona (1966) que se irita tornar o marco dessa fase.

A carreira do cineasta culminou com o lançamento de Fanny e Alexander (1982) que trazia muito das experiências experimentadas por Bergman durante a sua infância e que marcou a sua despedida das telas do cinema. O filme rendeu-lhe vários prémios. Após o seu último trabalho, passou a dedicar-se ao teatro e à televisão, tendo escrito A Lanterna Mágica, a sua autobriografia.

Uma das características técnincas presente nos seus filmes é o trabalho com a luz. É impossível negar que Bergman se tornou um poeta dos tons densos, das milimétricas escolhas de luminosidade dos cenários. Bergman demonstrou possuir um estilo único, peculiar, que o tornou conhecido como um dos cineastas mais “sombrios” de todos os tempos.

O cinema de Bergman vai muito além da simples diversão ou deleite, ele desperta reflexões sobre a vida, suas representações e o próprio homem. Além de dirigir, escreveu praticamente todos os seus roteiros. Era um cineasta independente, mas que ainda assim valorizava muito o trabalho daqueles que o rodeavam. Eram os actores quem fazia os filmes de Bergman, eram eles quem dava vida a seus filmes e podemos dizer que eram as suas feições a razão dos seus filmes. Assim, Bergman trabalhou com uma equipa que praticamente não se alterou, imortalizando o nome de alguns dos seus elementos. Sem eles, não existiria uma obra feita à base de rostos, gritos, silêncios e sussuros.

Apesar da fama mundial, Bergman não usufui do mesmo prestígio na terra natal, a Suécia. Acusado de burlar o fisco, em meados da década de 70, caiu em desgraça. Desde então vive recluso na ilha de Faro, de onde só sai para encenar as suas peças teatrais ou realizar especiais para a televisão.

Considerado um dos pioneiros do cinema moderno, Bergman foi, com certeza, um dos maiores mestres da sétima arte, não apenas pela excepcional direcção dos seus filmes, mas por criar, em cada um deles, uma verdadeira fusão de sentimentos, considerados muitas vezes, como pura poesia. Por todo o seu contributo ao mundo cinematográfico, os seus muitos prémios incluíram o prémio mais importante de Berlinale, o Urso de Ouro em 1958 por Morangos Silvestres.

Sem comentários:

Enviar um comentário